Parise, 2021
Entre a praça central e a memória da cidade, o projeto procura operar menos como objeto isolado e mais como elemento de mediação.
Implantado diante de um dos principais acessos à praça, o edifício organiza-se como uma peça de transição entre diferentes tempos urbanos. A fachada sul, integralmente envidraçada, é tensionada por uma diagonal que amplia a superfície de contato com a cidade, intensifica a vitrine urbana e potencializa as relações visuais entre interior e exterior.
O acesso ocorre pelo nível intermediário, articulando dois pavimentos e um mezanino em uma sequência espacial contínua. Em vez de estabelecer uma separação rígida entre os níveis, o projeto explora a sobreposição de campos visuais e a percepção simultânea dos diferentes planos do edifício.
O recuo frontal cria uma zona de negociação entre o espaço público e o privado, capaz de acolher jardim, permanência ou estacionamento, ampliando as possibilidades de apropriação do lote.
Na fachada norte, um sistema de brises controla a incidência solar e qualifica a luz natural, enquanto a geometria da fachada principal produz um gesto preciso: preservar e enquadrar a vista da antiga Comissão de Distribuição de Terras, primeira construção em alvenaria da cidade, erguida no final do século XIX.
Mais do que responder a condicionantes funcionais, a arquitetura procura construir relações. Entre transparência e massa, entre permanência e transformação, entre o tecido histórico e as dinâmicas contemporâneas da cidade.
Endereço: Rua Andrade Neves. Veranópolis, RS
Ano: 2021
Área: 460m²